Pandemia enfatiza desigualdade entre empreendedores

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A desigualdade de renda entre os gêneros de empreendedores aumentou em meio à crise da pandemia. Microempreendedores Individuais (MEIs) liderados por homens apresentaram uma receita média 23% superior a de negócios chefiados por mulheres, nos primeiros meses de 2021. No ano passado, a diferença foi de 10,8%, aponta estudo do Data Nubank, realizado em parceria com o Sebrae e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). 10,8%

A pesquisa mostra também que a pandemia contribuiu de forma mais intensa para o fechamento de micronegócios liderados por mulheres. Conforme o levantamento, o número de mulheres empreendedoras caiu 50% em relação ao número de homens que fecharam seus negócios.

“A lacuna entre os gêneros no país ainda é um dos desafios mais evidentes do empreendedorismo”, afirma Rafaela Nogueira, gerente de relações institucionais no Nubank, doutora e mestre em economia pela Fundação Getúlio Vargas, que coordenou o levantamento de dados do estudo.

A crise atingiu a capacidade de economizar dos empreendedores, com reflexos piores para as mulheres. Na função Guardar Dinheiro, do Nubank, por exemplo, a diferença entre os depósitos de mulheres e homens só tem crescido.

Em 2019, as mulheres conseguiram guardar 17,2% em volume financeiro a menos que os homens. Em 2021, essa diferença aumentou para 47,6%.

O levantamento, que marca um ano do Data Nubank, faz uma leitura  sobre o perfil de microempreendedorismo feminino com base no comportamento de clientes Nubank e pautado em dados do Sebrae e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em uma parceria inédita entre as três instituições.

Para Renata Malheiros, coordenadora do programa SEBRAE Delas, os impactos da pandemia de Covid-19 foram mais intensos para as mulheres não só na diferença de renda, mas também em relação à vida pessoal. “Mesmo antes da crise sanitária, elas já dedicavam cerca de 10,4 horas a mais que homens por semana para atividades domésticas e de cuidado com a família, segundo o IBGE.”

Segundo o BID, com O fechamento de creches e escolas, afetou muito as mulheres que passaram a enfrentar o acúmulo de jornada de trabalho. Identificar esse fenômeno e trabalhar para superá-lo, para o BID, é essencial para promover crescimento econômico inclusivo.

(Com assessoria)