Crédito: Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES  Crédito: Flickr

Crédito: Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES  Crédito: Flickr

A organização britânica Chatham House propõe que a comunidade internacional poderia acabar com o desmatamento na Amazônia trabalhando com parceiros de diferentes esferas nacionais no Brasil, como governos estaduais e municipais, empresas, sociedade civil e grupos indígenas.

O documento Repensando a Amazônia é assinado por Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento do Brasil (BNDES); Ana Toni, economista e diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS); Ana Yang, diretora executiva da aceleradora de sustentabilidade da Chatham House; e Roberto Waack, biólogo, líder empresarial nos setores farmacêutico e florestal e pesquisador visitante da Chatham House.

O documento apresentado hoje, a poucos dias da Conferência das Nações Unidas sobre o clima, foi desenvolvido após 18 meses de entrevistas com especialistas, ex-governadores, ex-prefeitos, ex-chefes do Banco Central do Brasil, ex-embaixadores, funcionários de agências reguladoras e representantes de empresas, investidores, movimentos sociais e grupos indígenas.

O Chatham House, conhecido anteriormente como Royal Institute of International Affairs, é uma organização social sem fins lucrativos fundada em 1920, em Londres. Ele se dedica a analisar temas de alta política em relações internacionais e considerado como um dos think tanks mais importantes do mundo.

Bioeconomia

Segundo o documento, qualquer projeto para preservar a Amazônia só terá sucesso se oferecer resultados sociais e econômicos para as 29,3 milhões de pessoas que vivem lá. A proposta destaca que a região é uma das mais pobres do Brasil, com os menores valores de Produto Interno Bruto (PIB) e os mais baixos níveis de acesso a direitos sociais básicos, como saneamento, educação e saúde.

As medidas propostas vão de estímulos políticos e fiscais, passando por apoio para a ação urgente de interromper o desmatamento agora, até subsídios para trabalhos de longo prazo na construção de uma economia amazônida sustentável.

O relatório avalia que as legislações que estão sendo propostas no exterior para proibir produtos com origem no desmatamento nas cadeias de abastecimento internacionais – as leis de due diligence – , precisam ser acompanhadas de uma contrapartida de investimentos em bioeconomia nos países florestais.

Da mesma forma, qualquer financiamento de curto prazo para agências e mecanismos de proteção ambiental deve ser acoplado ao apoio de longo prazo para um sistema eficaz de planejamento do uso da terra.

A sobrevivência da Amazônia é indispensável para alcançar a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 1,5C. Os altos níveis de desmatamento – que marcaram níveis recorde pelo terceiro ano consecutivo – transformaram a Amazônia de um sumidouro de carbono para uma fonte de carbono, empurrando o bioma perigosamente para perto de um ponto a partir do qual se transformará em uma savana degradada.

(Com assessoria)