Detalhe da nota de cem reais - Crédito: Freepik

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O auxílio emergencial e a popularização das instituições de pagamento (IPs) proporcionaram que 96% da população adulta do Brasil tivesse algum tipo de relacionamento com o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Os dados são do 2º Relatório de Cidadania Financeira (RCF), divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira, 11.

“Em 2020, a chegada da pandemia da Covid-19 evidenciou a importância da digitalização dos serviços financeiros, tanto com a criação de contas digitais para pagamento do Auxílio Emergencial quanto pela necessidade de transacionar digitalmente devido às medidas de confinamento e distanciamento social”, informou o BC.

Segundo o relatório, o percentual de adultos com relacionamentos com o sistema financeiro atingiu 96% em 2020, contra 86,5% em 2017. Somente no ano passado, 14 milhões de brasileiros foram incluídos no SFN.

“Além dessa expansão do acesso mais recente, a análise do passado mostrou que a diversificação de provedores mudou o panorama das instituições que proveem serviços financeiros ao cidadão brasileiro, com destaque para as IPs, que foram responsáveis por cerca de 30% dos novos relacionamentos estabelecidos no período analisado”, refere o documento.

Desigualdade

Quanto ao uso de produtos e serviços, segundo o relatório, no último triênio houve leve crescimento da população com alguma operação de crédito e, ao final de 2020, já era próximo de 50% da população adulta no país. Analisado pela ótica da renda, o uso do crédito reflete a desigualdade do país, tendo os 50% da população de renda mais baixa aproximadamente 12% do saldo da carteira de crédito em 2020.

“No cenário de crise trazido pela pandemia, foi possível avaliar a resiliência financeira do brasileiro. Sexo e renda familiar foram os fatores com maior influência sobre a probabilidade de uma pessoa ser financeiramente resiliente: ser homem aumenta em 67% a chance de pertencer ao grupo resiliente, assim como ter renda familiar a partir de vinte salários-mínimos aumenta em 23 vezes a chance de ser resiliente se comparado às famílias com renda até um salário-mínimo”, assinala o RCF.

Jovens e MEIs

Os jovens brasileiros mostraram ser uma força importante para a diversificação de provedores observada recentemente. Enquanto a população entre 15 e 29 anos são 25% dos cidadãos dentro do SFN, eles representam 42% dos clientes tanto das IPs quanto das instituições de crédito.

Outro público específico abordado pelo relatório do BC foram os MEIs, que chegaram a onze milhões de registros no final 2020. Embora esses empreendedores ainda se relacionem com o SFN quase cinco vezes mais por meio pessoal, como pessoa física, eles estão buscando cada vez mais transacionar com o SFN como pessoa jurídica: o percentual dos relacionamentos via PJ cresceu de 21% em 2017 para 29% em 2020.

As instituições de pagamento vêm ganhando relevância na vida financeira dos cidadãos, com sua carteira de clientes passando de quinze milhões em 2017 para sessenta milhões em 2020. Um segundo grupo de instituições que passou a atuar no SFN nesse triênio foram as fintechs de crédito, com potencial de impactar a cidadania financeira especialmente na ampliação do acesso e uso do crédito.

Pix

Até agosto de 2021, cerca de 40 milhões de cidadãos que antes não usavam meios eletrônicos de pagamento passaram a fazê-lo com o Pix. “Essas análises das nuances da cidadania financeira mostram como o assunto avançou nos últimos anos e evidenciam também os diversos desafios a serem vencidos. O acompanhamento constante dessa realidade é importante para que continue sendo possível o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções inovadoras e a avaliação de suas consequências sobre a vida do cidadão e seu relacionamento com o SFN”, conclui o relatório do Banco Central.