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O Banco Central criou uma nova modalidade de participação no Pix, o iniciador, que marca a convergência do meio de pagamentos instantâneo com o Open Banking. A nova modalidade de participação é destinada às instituições financeiras ou demais instituições, como aplicativos de mensagens, por exemplo, que sejam autorizadas pela autoridade monetária a prestar o serviço de iniciação de pagamento ou transferência.

Diferente de um banco ou fintech em que o cliente tem uma conta transacional, o iniciador servirá apenas para iniciar um pagamento ou transferência entre duas partes.

Atualmente, o Pix conta com 760 prestadores de serviços de pagamentos, os PSPs, que podem ou não solicitar ao Banco Central autorização para passarem a ser também iniciadores. “O objetivo do BC é tornar a jornada do Pix mais simplificada, com mais alternativas para os usuários”, afirmou o chefe da Gerência de Gestão e Operação do Pix, Carlos Eduardo Brandt, em entrevista coletiva.

O serviço de iniciação no Pix ocorrerá quando a instituição que presta o serviço de iniciação for diferente da instituição que detém a conta do usuário pagador. Para que o Pix seja feito a partir do serviço de iniciação, será necessário que o usuário dê o consentimento ao compartilhamento do serviço, etapa regida pelas regras definidas no âmbito do Open Banking.

Todos os procedimentos para a iniciação de um Pix (inserção manual, chave Pix, QR Code estático e dinâmico e diretamente com os dados do recebedor) poderão ser usados para iniciar um Pix por meio de serviço de iniciação de transação de pagamento, mas a sua implementação será feita em fases para que as instituições tenham tempo de efetuar os ajustes tecnológicos necessários, além da realização de testes.

A inserção manual e por chave do Pix para transferências simples, P2P, deverá ficar disponível a partir de 30 de agosto no serviço de iniciação. Os pagamentos, P2B, estão previstos para 30 de setembro e, em 1º de novembro, deverão estar em funcionamento a leitura do QR Code e a funcionalidade de agendamento para pagamentos e transferências. A adesão dos novos participantes como iniciadores começa em 2 de agosto.

Mais agilidade nas transações

Na coletiva de imprensa que teve também a participação do consultor da Gerência de Gestão e Operação do Pix, Breno Lobo, foram exemplificadas as várias funcionalidades e dinâmicas que poderão ser utilizadas no serviço de iniciação.  Um exemplo é, ao realizar uma transferência utilizando um aplicativo específico fornecido pelo iniciador, como aplicativos de gestão financeira, de mensagens ou redes sociais, será possível iniciar um Pix a partir do próprio aplicativo, que automaticamente direcionará o usuário para o aplicativo de seu banco para autenticar a transação.

Outro caso possível é a partir de uma compra on-line em um site ou no uso de aplicativos de delivery, transporte e compra de mercadorias. Em vez de ser feita a leitura ou copiar o QR Code e usar o Pix Copia e Cola, o usuário será automaticamente direcionado para a tela de autenticação da transação no aplicativo do seu banco e, após a conclusão da transação, será direcionado automaticamente de volta para a loja virtual ou App.

Os próprios comércios poderão se tornar um iniciador de pagamento e fazer o mesmo meio de campo entre a instituição em que o cliente tem conta e a conta do comerciante. Também será possível que uma terceira empresa faça esse trabalho.

A regulamentação do Banco Central permite que esse serviço seja cobrado do cliente, mas a expectativa é que ele seja gratuito. “No âmbito do consumidor, é livre. Se o iniciador quiser cobrar uma taxa, ele pode cobrar. A gente imagina que não tem muito incentivo para isso dado que o Pix para pessoa física é de graça para iniciar”, analisou Breno Lobo.