Políticas fiscais são preocupação para alta da inflação - Crédito: Freepik

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As políticas fiscais que buscam controlar a inflação no curto prazo, como as discussões sobre o corte de tributos para aliviar os preços dos combustíveis, estiveram no foco das preocupações do Comitê de Política Monetária (Copom). É o que mostra a ata da última reunião do comitê, divulgada nesta terça-feira, 8, pelo Banco Central.

Na semana passada, o BC aumentou a taxa básica de juros em 1,50 ponto percentual, ao patamar de 10,75% ao ano, mas indicou uma redução no ritmo de ajuste na próxima reunião do Copom, em março, além de apontar que o horizonte relevante da política monetária inclui, “em maior grau”, o ano de 2023.

“O Comitê nota que mesmo políticas fiscais que tenham efeitos baixistas sobre a inflação no curto prazo podem causar deterioração nos prêmios de risco, aumento das expectativas de inflação e, consequentemente, um efeito altista na inflação”, afirma a ata.

“A inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, e segue se mostrando mais persistente que o antecipado”, segue o documento, afirmando que a alta nos preços dos bens industriais não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou, ainda refletindo a gradual normalização da atividade no setor.

O documento pontua o desempenho da agropecuária e o processo de normalização da economia, particularmente, no setor de serviços e no mercado de trabalho para estimular o crescimento econômico. No entanto, ressalta que “os índices de confiança divulgados desde a última reunião seguem mostrando deterioração, e desenvolvimentos climáticos afetaram as projeções de importantes culturas agrícolas”.

O Copom admite que as diversas medidas de inflação subjacente se apresentam acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação. As expectativas de inflação para 2022 e 2023, apuradas pela pesquisa Focus, encontram-se em torno de 5,4% e 3,5%, respectivamente.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que a meta de inflação em 2022 será de 3,5%, considerada formalmente cumprida se oscilar entre 2% e 5%.  Para 2023, a meta de inflação definida pelo CMN é de 3,25%, com intervalo para cima e para baixo entre 1,75% e 4,75%.

“Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros. Essa sinalização reflete o estágio do ciclo de aperto, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, aponta.

Contudo, afirma que “a incerteza particularmente elevada sobre preços de importantes ativos e commodities, assim como o estágio do ciclo, fez o Comitê considerar mais adequado, neste momento, não sinalizar a magnitude dos seus próximos ajustes”, conclui.