Roberto Campos Neto faz palestra na Associação Comercial de São Paulo - Crédito: Divulgação

Roberto Campos Neto faz palestra na Associação Comercial de São Paulo – Crédito: Divulgação

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira, 4, que a inflação ganhou uma força inesperada em quase todos os países por causa da reabertura da economia e do aumento nos preços das commodities, em particular do setor de energia.

“A inflação ao produtor está chegando a 12%, 13% em país que tem tradição de 3% e 4%. Tem sido diferente para países diferentes. Os bancos centrais estão estudando muito”, disse Campos Neto, em evento na Associação Comercial de São Paulo.

O presidente do BC usou o exemplo do Reino Unido, onde o mercado espera uma inflação de 4%. “Isso é bastante alto para o Reino Unido. A gente está começando a entender que o mundo vive um processo mais inflacionário”, acrescentou.

Ele ressaltou que o movimento de alta nos preços é motivado por uma conjunção de fatores, e que entre eles está a reabertura da economia conforme a pandemia de covid-19 perde força, sendo que o consumo de bens e serviços é mais lento.

Campos Neto destacou também surpresas negativas sobre o crescimento na Ásia e afirmou que a retomada global já está em desaceleração. Ele destacou as “batalhas particulares” da China, como a construção civil, com o problema com a Evergrande e imóveis vazios.

PIB e inflação no Brasil

Para o chefe da autarquia monetária o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi bom no combinado de 2020 e 2021, mas reconheceu que há revisões para baixo em 2022.

“Há previsões mais baixas para 2022. O Brasil tem crescimento estrutural mais baixo do que os outros países. Por isso, precisamos seguir com as reformas, para aumentar esse crescimento estrutural”, ressaltou.

Setembro deve ser o pico da inflação, na visão de Campos Neto, subindo bem acima do desejado. “Tem um elemento de persistência maior e por isso nós temos sido mais incisivos nos juros”, pontuou.

O nosso objetivo é passar uma mensagem de credibilidade, nas palavras do presidente do BC, que a instituição está atenta ao que se passa. “Parte do combate é o fiscal, pois quando se tem uma credibilidade fiscal a sua curva longa de juros cai e o mesmo movimento que se faz no curto prazo tem muito mais efeito na economia”, analisou.

“Nós estamos num momento muito difícil, com desemprego altíssimo, e injetar dinheiro na economia não é a grande saída. Nesse momento, a gente precisa ganhar credibilidade, precisa comunicar o que será o fiscal, o plano de médio prazo, e virar a página do que será o programa de enfrentamento até o fim do governo”, concluiu.