Presidente da Petrobrás pede demissão - Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, renunciou hoje ao cargo, conforme anunciou a empresa em comunicado ao mercado nesta segunda-feira, (20).

Logo após informar a renúncia, a companhia informou em outro comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que o presidente do Conselho de Administração, Márcio Weber, nomeou como presidente interino da companhia Fernando Borges, atual diretor-executivo de Exploração e Produção da Petrobras.

Mauro Coelho já havia sido exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro no final de maio, após 40 dias no cargo, porém, ele ainda mantinha o cargo enquanto a companhia realizava os trâmites burocráticos para eleger o seu substituto Caio Paes de Andrade, homem de confiança do ministro da Economia, Paulo Guedes.

A notícia já era esperada pelo mercado, após a Petrobras ter anunciado o reajuste dos preços da gasolina e do diesel. Durante o fim de semana, o governo começou a ser pressionado pela demissão de Mauro Coelho.

A pressão pela renúncia dele foi intensificada no fim de semana pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e pelo presidente Jair Bolsonaro, que ameaçam até mesmo a criação de uma CPI para investigar a gestão de Coelho.

Em um artigo publicado no domingo, Lira chamou o atual presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, de “ilegítimo”, embora não mencione que o executivo tenha sido escolhido e indicado para comandar a estatal pelo próprio presidente Jair Bolsonaro em abril, conforme noticiou O Globo.

A partir da indicação, Coelho foi eleito numa assembleia de acionistas, onde o governo tem a maioria dos votos, para integrar o Conselho de Administração da empresa. Em seguida, ele foi escolhido por este colegiado para presidir a estatal. A União é a maior acionista da empresa.

No entanto, no início de junho, pouco mais de um mês depois da posse do executivo, Bolsonaro pediu à empresa a sua substituição por Caio Paes de Andrade, auxiliar do ministro Paulo Guedes, mas o processo burocrático ainda está em curso. Enquanto isso, Coelho seguia no comando.

Contrariado com a forma como o governo o tirou do comando da empresa, 40 dias após ele assumir o cargo, Coelho havia decidido ficar no cargo até todo o trâmite burocrático ser cumprido.

Após a divulgação do fato relevante, as ações da Petrobras foram suspensas pela B3 para que os investidores pudessem entender o que acontecerá agora com a companhia. Na parte da tarde, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu uma apuração sobre a divulgação da notícia da saída de Coelho da companhia, mas não explicou se o caso envolve alguma denúncia de uso de informação privilegiada, já que a notícia já era especulada durante o fim de semana.

As ações preferenciais da Petrobras fecharam o dia em alta de 1,14%, a R$ 27,62. Mas ao longo do dia, o papel também chegou a cair próximo dos 5%, a R$ 25,91.

 (Com assessoria e O Globo)