Ricardo Taveira, CEO e fundador da Quanto Crédito: Divulgação

Uma das plataformas pioneiras em open banking no Brasil, a Quanto quer ser protagonista deste mercado quando entrarem em vigor as próximas fases programadas pelo Banco Central. No final do ano passado, a empresa captou, numa rodada Série A, R$ 15 milhões liderada pelos dois maiores bancos brasileiros, Bradesco e Itaú Unibanco e que também contou com a participação de fundos de como Kaszek Ventures e Coatue, este em seu primeiro investimento na América Latina.

A participação do Bradesco foi realizada por meio do fundo Inovabra Ventures e a participação do Itaú Unibanco, feita diretamente, foi sujeita à aprovação pelo Banco Central do Brasil. Todos os investidores entram com participação minoritária e o fundador e CEO, Ricardo Taveira, segue no controle da Quanto. Os recursos estão sendo usados para a construção da plataforma do ambiente regulado, ampliação da equipe e para a empresa ter fôlego para desenvolver novos produtos.

“O papel da Quanto é prover tecnologia para viabilizar o plano de negócios de todas as entidades do sistema financeiro, não apenas do Bradesco e do Itaú. Procuramos ajudar em dois desafios do Open Banking: como consumir dados ou produtos de terceiros e como a empresa encontra novos produtos e serviços para seus clientes. A Quanto é remunerada no modelo de crédito como provedor de acesso por chamada de APIs ou parcerias com empresas como birôs de crédito”, diz Taveira.

Ele tomou a decisão de criar a Quanto em 2015, quando a União Europeia aprovou o PSD2 – Payment Services Directive, diretiva criada para revolucionar os serviços de pagamento. A Quanto surgiu em 2017 com o objetivo de tornar o Open Banking uma realidade. Na época, não se falava em Open Banking, mas o conceito de acessar o dado financeiro de outras fontes ja existia.

“O Open banking tem o potencial de reestruturar a indústria financeira no Brasil. Quando se permite o compartilhamento de dados, a movimentação e a contratação de serviços financeiros, você efetivamente está desacoplando o produto financeiro do canal de acesso ao produto. Com isso amplia-se muito a qualidade e reduz-se o custo dos produtos e serviços”, explica Taveira.

Ele diz que a Quanto tinha a visão de que o Open Banking era inevitável, permitindo que a indústria financeira saia de um modelo de relacionamento de um para um – o canal e produto bancário – para uma estrutura de vários para vários – N to N. A ideia é de que, por meio da interface de qualquer banco ou varejista, o cliente possa acessar todos os serviços financeiros.

“Para isso é necessário um middleware intermediário para pegar o trabalho dos grupos de padronização e construir a camada de produto e de experiência do usuário. A Quanto hoje ajuda bancos e fintechs e participantes do Open Banking a acessarem os dados financeiros de terceiros e constrói um ecossistema ao redor, com parceiros como birôs de crédito a fim de agregar valor e ajudar a distribuição de serviços financeiros”, esclarece o CEO da Quanto.

Em julho, entra no ar fase II do Open Banking de compartilhamento de dados. Na terceira fase, em 30 de agosto, há a possibilidade de encaminhamento de proposta de crédito o que viabiliza a construção de marketplaces de crédito; além da movimentação via API. O consumidor poderá escolher um aplicativo distinto do seu banco para movimentar sua conta bancária.

A Quanto fechou um contrato com o banco BMG que quis antecipar os benefícios da nova regulação aos seus clientes. O BMG passará a pedir aos interessados em linhas de crédito que compartilhem seu histórico financeiro em outras instituições. Dessa maneira, a partir da autorização para acessar esses novos dados, o banco espera refinar suas análises e, assim, aumentar a aprovação de linhas de crédito. Além do BMG a empresa tem outros clientes como empresas listadas em bolsa, pequenas fintechs e bancos de diferentes portes.

“Nesse momento pré-Open Banking ajudamos o BMG a capturar dados financeiros por métodos que não utilizam as APIs de Open Banking, para eles aprenderem a desenvolver o modelo de crédito e de análise de melhores produtos para seus clientes. Temos um desafio de indústria porque ninguém ainda viu um dado de Open Banking e, para chegarmos em julho com soluções, precisamos iniciar esse trabalho já. Hoje estamos entregando para nossos parceiros uma solução que permite captura de dados bancários”, justifica Taveira.

Apesar da efervescência atual do mercado de Banking as a Service, Taveira diz que este mercado será complementar ou substituído pelo Open Banking. Para ele, o BaaS ficará restrito a uma nicho de mercado especializado. Taveira explica que o BaaS tipicamente tende a prover soluções White Label para a empresa poder oferecer uma conta bancária para o seu cliente a fim de que ele possa acessar a conta a partir do aplicativo da empresa – que pode ser um varejista, startup ou associação.

“Mas o Open Banking tem o potencial de transformar todo banco brasileiro em um BaaS. Se no pós-Open Banking eu consigo escolher a interface que vou usar para acessar minha conta independentemente do banco, estou claramente separando o app da conta. Muita demanda de negócio de BaaS será atendida por este modelo de Open Banking. Isso muda muito a estrutura da indústria financeira, pois a empresa não precisará mais entregar uma conta corrente para o seu usuário. O futuro do banco é a especialização em canal ou produto, pois sofrerá uma pressão do Open Banking”, analisa Taveira.