Responsável pelo crédito do Magalu, a BMP é referência em BaaS - Crédito: Divulgação

Carlos Benitez, fundador e CEO da BMP – Crédito: Divulgação

Na semana passada, o Magalu anunciou uma nova modalidade de crédito, com os famosos carnês, e teve enorme repercussão um vídeo de Luiza Trajano pedindo por favor que os clientes voltassem às lojas. O que muitos não sabem é que a BMP, um hub de soluções financeiras, bancárias e tecnológicas, foi o responsável por dar forma e vida à operação.

Mas quem é esse grupo que tem mais de 250 parceiros e é um dos principais provedores de banking as a service (BaaS) do Brasil? A BMP teve início em 1996, quando Carlos Eduardo Benitez, após voltar de uma temporada nos Estados Unidos, montou uma plataforma para financiar e refinanciar veículos, chamada Credicarro. Em 2009, se tornou uma micro financeira, com licença de sociedade de crédito ao microempreendedor e à empresa de pequeno porte.

Alguns anos depois, o executivo percebeu que, com o avanço da tecnologia, novas plataformas que estavam surgindo poderiam servir também distribuir produtos bancários.

Virada com a criação do Mercado Pago

A grande virada veio em 2016, quando, após receber negativas, o Mercado Livre procurou a BMP. A demanda era para montar um esquema que ofertasse crédito para os vendedores da plataforma.

Carlos montou uma estratégia personalizada para o Mercado Livre: contratou advogados, estudou a regulamentação e desenvolveu a parte tecnológica. A estimativa à época era conceder R$ 35 milhões em crédito no primeiro ano, mas acabou chegando a R$ 250 milhões.

“Para mim, dentro do segmento de marketplace de crédito no varejo, o produto do Mercado Livre continua sendo o melhor até hoje. Vários varejistas tentaram copiar, mas nenhum conseguiu”, comemora Carlos Benitez.

Logo após o acordo com o Mercado Livre, a BMP começou a ser procurada por dezenas de outras fintechs, varejistas e mesmo grandes players tradicionais do mercado, como B2W, Via Varejo, Shopee, Cielo, XP, Itaú, BTG, entre outros. Hoje, dos seus 252 parceiros, 80 são empresas e outros 130 são FIDCs.

“Hoje o Mercado Pago se tornou uma instituição financeira, mas muitos outros não querem essa dor de cabeça porque realmente ser uma instituição regulada exige investimento muito pesado. Então, se você é muito grande e está dedicado a um negócio, vale a pena você ter um parceiro como a BMP para isso. Acabamos construindo, de lá para cá, diversas outras funcionalidades e soluções para atender alguns clientes que a gente nem imaginava atender, por exemplo o Itaú e a Magalu”, conta Benitez.

A meta é chegar a 400 parceiros até o fim do ano. Em 2021, a BMP intermediou 4,7 milhões de operações de crédito, ou R$ 10,5 bilhões em valores dessas operações. Os volumes movimentados nas suas plataformas chegaram a R$ 30 bilhões. Para este ano, a meta é chagar a 7,5 milhões de operações de crédito e R$ 120 bilhões movimentados.

Peac maquininhas

A parceria com o Mercado Livre abriu muitas portas para a BMP, mas outro momento igualmente importante veio em 2020, quando a empresa aderiu ao Peac Maquininhas, programa do governo federal para ajudar microempreendedores durante a pandemia. Como os repassadores tinham poucas semanas para fazer o dinheiro do BNDES fluir, agilidade era fundamental.

“Nós estávamos melhor preparados que qualquer banco. Ficamos em segundo lugar, com R$ 540 milhões repassados, só perdemos para o Banco do Brasil. E isso porque alguns bancos dificultaram o acesso aos dados de algumas credenciadoras, senão tínhamos feito o dobro”, pontua Carlos Benitez.

Com isso, a receita do grupo, que antes era dividida quase pela metade entre crédito e serviços, hoje é 95% em tarifas. O lucro da BMP em 2021 foi de R$ 80 milhões. A empresa conclui em torno de 750 mil operações de crédito e analisa em torno de 1 milhão de pedidos de crédito por mês. A carteira é de cerca de R$ 250 milhões, sendo 40% em financiamento de máquinas e equipamentos, 30% em crédito via maquininhas e 30% em financiamento automotivo.