Paulo Mendes, CFO SAP, divulgação

A falta de sistemas para o core bancário não tira o interesse da SAP no mercado financeiro. Também não assusta a empresa a histórica preferência dos bancos e seguradoras por desenvolver suas próprias aplicações. A SAP tem conseguido ingressar no setor financeiro com sistemas corporativos de gestão. Paulo Mendes, CFO da SAP Brasil, explica que a corporação conta com uma vertical de finanças e um portfólio completo de soluções e concentra bancos e fintechs na mesma unidade. E diz que há sinergias com os clientes globais.

“O JP Morgan é uma grande referência fora do Brasil e tudo que é desenvolvido no exterior e sistemas que co-criamos com clientes internacionais oferecemos no Brasil. O processo tradicional dos bancos desenvolverem sistemas em casa foi uma verdade muito mais forte no passado e vem se transformando nos últimos tempos. Os bancos estão abertos à infraestrutura de cloud de diferentes provedores incluindo a SAP”, diz Mendes.

CFO da SAP Brasil destaca também a área de ESG e como os dados são indispensáveis para a efetividade das iniciativas de sustentabilidade. Há um ano, a SAP criou um comitê interno ESG, do qual Mendes é patrocinador. São dois objetivos: a incorporação das práticas ESG internamente e também ajudar os clientes nessa jornada. Hoje mais de 80% das empresas que integram o Índice de Sustentabilidade da B3 são clientes SAP.

“Temos uma responsabilidade grande nas nossas soluções sobre como elas vão impactar o negócio de grandes empresas brasileiras e como essas empresas vão agir com seus consumidores finais. Temos de ter soluções que ajudem a sustentabilidade, a governança e a questão social. Fizemos um levantamento dos padrões do GRI (Global Reporting Initiative) e conseguimos conectar com 23 soluções da SAP, para mostrar como a empresa pode ajudar os clientes na jornada ESG”, conclui Mendes.

Tendências

Outra mudança que ele destaca diz respeito a soluções específicas de partes da operação financeira que não são core bancário, como a solução de procurement Ariba, que está presente em alguns bancos brasileiros. “As instituições entendem que esse tipo de solução pode ajudá-los de maneira mais rápida, a como fazer processos de compras mais eficientes”, completa o CFO da SAP.

Ele diz que há tendências irreversíveis como a integração de soluções por meio de APIs, plataformas, open source e ofertas dos hyper scale, os grandes provedores de nuvem como AWS, Google Cloud e Microsoft Azure. “A integração de soluções é algo que veio para ficar e não acho que voltaremos ao modelo centralizado e proprietário. Existem as exigências de regulação e os bancos têm de ser cuidadosos, mas estarão mais abertos a essa tendência de integração”, acredita Mendes.

A SAP tem contratos com Bradesco, Itaú, Caixa Econômica, XP e Nubank. Entre os grandes contratos  está o a da Itaúsa – holding brasileira de investimentos que possui em seu portfólio empresas como: Itaú Unibanco, Alpargatas, Duratex, Copagaz e NTS – que concluiu recentemente a migração para o sistema de gestão SAP S/4HANA.

Batizado de “Soma 2.0”, o projeto de implementação visava, além da adoção do ERP mais moderno, a automação de informações financeiras com adoção do SAP Business Planning and Consolidation (SAP BPC), e fiscais e contábeis com SAP Tax Declaration Framework e SAP Disclosure Management. O projeto exigiu poucas customizações, alcançando 97% do ambiente S/4HANA standard, 100% com as diretrizes de design e experiência do usuário do SAP Fiori, fazendo do projeto uma referência brasileira na adoção da solução completa de classe mundial da SAP.

Para seguradoras, a empresa tem soluções específicas como a SFCD, voltada para o controle da operação de seguros atendendo não apenas a regulação da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mas também aos do sistema contábil IFRS. No Brasil, a SAP fechou contratos com a Bradesco Seguros, onde foi implementada a solução Incentive and Commissions Management for Insurance (ICM); e na Porto Seguro cujo contrato prevê, entre outras soluções, a instalação da SAP Business Technology Platform, Customer Data Cloud.

Mendes informa que, internamente, a área de finanças da SAP está passando por uma transformação para maior padronização e automação de processos com cada vez menos intervenção humana. Para isso, a empresa utiliza o conceito de centros de serviços compartilhados – localizados em Buenos Aires, em Praga e Manila -, que estão sendo fortalecidos.

“Eles processam a parte contábil, contas a pagar e a receber, faturamento, registro de contratos. O processamento de despesas de viagem é feita em Manila para o mundo todo. Buenos Aires atende os EUA, a América Latina e os países europeus de línguas espanhola e portuguesa. Não estamos longe de um ERP totalmente autônoma, executando 90% das atividades, um modelo pós centros de serviços compartilhados. O que continua a cargo dos times locais são a parte de estruturação de negócios, parcerias e intermediação de resolução de desafios existentes no mercado B2B, que uma máquina não consegue resolver”, explica Mendes.