Homem desbloqueia informações do cartão de crédito pelo computador para outras instituições

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A partir desta sexta-feira, 13, entra em funcionamento a segunda das quatro fases do Open Banking, que permite o compartilhamento padronizado de dados pessoais pelas instituições participantes. A partir desta etapa, os participantes registrados no Open Banking poderão trocar dados de cadastros e transações de clientes, sempre com o consentimento do cliente.

Nesta fase, poderão ser compartilhadas as informações de cadastro, como nome, endereço, renda e CPF, bem como dados de movimentação financeira sobre contas, cartão de crédito e operações de crédito, como empréstimos e financiamentos.

Para marcar o início da segunda fase, o Banco Central realiza nesta sexta-feira um evento on-line, aberto à imprensa e ao público na sua página do Youtube, para explicar e tirar dúvidas sobre o início do compartilhamento de dados.

“O Open Banking incentivará a inovação e o surgimento de novos modelos de negócio que oferecem aos clientes uma experiência fácil, ágil, segura e conveniente. Isso favorece a inclusão e educação financeiras da população. Espera-se que o fluxo mais transparente de informações entre as instituições favoreça a definição de melhores políticas de crédito e a oferta de serviços mais adequados aos diferentes perfis de clientes e de segmentos da sociedade”, afirma o BC.

“É nesta segunda fase de implementação que se iniciará uma interação mais direta com o cliente final. O Open Banking no Brasil, embora com um cronograma muito desafiador e um escopo bem abrangente, incentiva a inovação e tende a intensificar as ofertas de valor para os usuários, com novos produtos e serviços, acelerando a transformação digital do mercado financeiro. A expectativa do setor bancário com sua implantação completa é bastante positiva”, avalia Isaac Sidney, presidente da Febraban.

Em recente entrevista ao Digital Money Informe, o presidente da Abfintechs, Diego Pérez, afirmou que a revolução está só no início. “Por meio do Open Banking você vai conseguir entregar a experiência bancária mesmo sem ser um banco, porque ele está trazendo à tona um personagem, um novo ente regulado que é um iniciador de serviços de pagamento, o Pisp, da sigla em inglês para Payment Initiation Service Provider. Uma entidade regulada pelo Banco Central, mas que só faz a conexão entre o mundo financeiro e o não financeiro. O WhatsApp Pay é um Pisp, um iniciador de transação de pagamento que não é um banco, mas que possibilita o envio de dinheiro. Só estamos no começo desta revolução”, ressalta.

Caio Bretones, fundador e CEO da Mobile2you, mobile-house que desenvolve aplicativos financeiros sob medida e que, apenas nos últimos três anos, criou mais de 50 bancos digitais para seus clientes, também comentou a nova fase do compartilhamento de dados. Para o executivo, o Open Banking deve revolucionar o sistema financeiro e tornar a indústria de pagamentos ainda mais competitiva e inovadora.

“Os aplicativos de bancos atuais passarão por inclusão de novas jornadas que permitirão a concordância do usuário para disponibilização das suas informações para outras instituições financeiras. O marketplace de ofertas de produtos e serviços financeiros dentro dos bancos, juntamente com a variedade de ofertas combinadas, irão revolucionar a forma como serviços bancários são contratados atualmente”, afirma.

Thiago Alvarez, diretor de Open Banking do PicPay e fundador do Guiabolso, chama a atenção para os cuidados que o cliente deve ter ao compartilhar seus dados. “O Banco Central tem sido minucioso nas instruções para essa segunda fase. É fundamental que a população saiba que todo o processo de compartilhamento de dados só deve ocorrer exclusivamente nos canais eletrônicos das instituições que aderiram ao Open Banking e, ao menor sinal que cause estranhamento, o cliente deve entrar em contato via canais de comunicação da instituição que realizou a abordagem e esclarecer melhor os pontos que ficaram com dúvidas”, enfatiza.

O que é Open Banking?

O Open Banking é um modelo de serviço que permite que os clientes solicitem o compartilhamento de seus dados pessoais e bancários com terceiros, de forma segura e digital, mediante sua expressa autorização. Estas informações podem ser usadas para oferecer ao consumidor melhores ofertas de produtos e serviços personalizados e com melhores custos. O Open Banking funciona no Brasil sob regulação do Banco Central. O sistema trabalha por meio de APIs (interfaces de programação de aplicações), que fazem a conexão entre as instituições participantes e permitem a troca de informações entre elas de uma maneira padronizada.

Quem irá participar do Open Banking?

É obrigatória a participação dos grandes e médios bancos do país classificados no segmento S1 (com porte igual ou superior a 10% do Produto Interno Bruto, ou que exerçam atividade internacional relevante, independentemente de seu porte) e do segmento S2 (porte inferior a 10% e igual ou superior a 1% do PIB). Para as demais instituições, a participação é facultativa.

Para iniciação de transação de pagamento, é obrigatória a participação das instituições iniciadoras de transação de pagamento e instituições detentoras de contas.

Como o Open Banking será implementado no Brasil?

O cronograma do Open Banking terá quatro fases de implementação. O Banco Central, através da resolução nº 109, atualizou as datas regulatórias de implementação do Open Banking, que agora se estenderá até setembro de 2022.

– Na primeira fase (1º de fevereiro), os participantes divulgaram informações de seus produtos e serviços e as características de seus produtos financeiros (exemplos: número de agências, endereços, telefones, produtos e serviços oferecidos aos clientes, assim como taxas e tarifas cobradas). Os dados ficam disponíveis publicamente para consultas e empresas terceiras podem desenvolver aplicativos que façam comparações entre as instituições participantes.

– Na segunda fase (13 de agosto) poderão ser compartilhados dados de clientes entre os participantes (informações de cadastro, de contas e operações de crédito). O compartilhamento das informações só poderá ocorrer com a autorização expressa do cliente. A troca de informações permitirá que o consumidor receba propostas financeiras de outras instituições, simulações de empréstimos e financiamentos entre diferentes participantes do sistema, ampliando assim, suas opções de escolha.

– A terceira fase, (30 de agosto), se refere aos serviços de iniciação de transação de pagamentos – nesta etapa deverão surgir serviços que possibilitem ao cliente fazer uma transferência ou um pagamento fora do aplicativo bancário ou do internet banking. Em 30 de agosto, as transferências via Pix entrarão no Open Banking. Em 15 de fevereiro de 2022 será a vez das transferências via TED e transferências eletrônicas entre contas de uma mesma instituição. Os boletos entrarão no Open Banking em 30 de junho do próximo ano, e em 30 de setembro, será a vez do serviço de débito de conta começar a ser compartilhado entre os participantes. O serviço de encaminhamento de proposta de operação de crédito está previsto para 30 de março do próximo ano.

– A quarta fase, (15 dezembro), e ainda em debate entre os participantes, se refere ao compartilhamento dos demais dados de produtos e serviços e de transações feitas pelos consumidores, como de operações de câmbio, investimentos, seguros e contas-salário. Esta fase acontecerá em duas etapas: em dezembro deste ano, as instituições poderão compartilhar informações que não envolvam dados de clientes. Informações financeiras do usuário que envolvam câmbio, investimentos, seguros e contas-salário entrarão no Open Banking a partir de 31 de maio de 2022.

(Com informações do Banco Central e da Febraban)