Servidores do BC mantêm greve e reduzem demanda de reajuste - Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Sede do Banco Central, em Brasília – Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Os servidores do Banco Central decidiram pela manutenção da greve por tempo indeterminado em assembleia realizada nessa terça-feira, 7, segundo o presidente do Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad.

A continuidade da greve foi aprovada por 80% dos votos. A próxima assembleia será na próxima terça, 14, quando começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que define a nova taxa básica de juros, a Selic.

A categoria resolveu também reduzir o pleito de reajuste, de modo a tentar avançar nas negociações nesta reta final, com o prazo de 2 julho para concessão de um aumento pelo governo, definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Agora, a demanda é por reajuste de 13,50%, contra 27% antes, que representava a recomposição das perdas inflacionárias desde 2019.

Com a greve, estão suspensos os boletins e divulgações regulares da autoridade monetária, como o Boletim Focus, os dados do fluxo cambial e as estatísticas fiscais, de crédito e do setor externo. Há também atrasos na divulgação da taxa Ptax diária.

Na última sexta-feira (3), os sindicatos que representam os servidores do BC foram informados de que não teriam aumento pelo presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, segundo contou Faiad, ao Broadcast, do Grupo Estado.

Campos Neto também avisou que iria enviar ao Ministério da Economia uma proposta de minuta com as pautas não salariais da categoria. “Como o BC informou que só enviaria as propostas com as medidas não salariais, nós estamos aceitando aquilo, mas exigindo a parte salarial, com reajuste de 13,5%. Fizemos isso para tentar avançar nas negociações”, afirmou Faiad.

A pauta não salarial prevê exigência de nível superior para o concurso de técnico do órgão, mudança do nome do cargo de analista para auditor e a criação da taxa de supervisão. A taxa seria paga pelo sistema financeiro para bancar o Orçamento do BC, como ocorre em outros países.