Elias Sfeir, Presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito – ANBC - Foto: Divulgação

Elias Sfeir, Presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito – ANBC – Foto: Divulgação

O grande desafio que o país enfrenta hoje no que diz respeito a agenda ESG é a taxonomia, que já vem sendo tratada pelo Banco Central, especialmente na área de governança, mas que precisa evoluir. “Não existe uma taxonomia global. A União Europeia avançou, gerando sua própria taxonomia. É importante que se discuta a maneira de se medir para evitar assimetrias e visões diferentes”, afirmou Elias Sfeir, durante o painel de Finanças Sustentáveis, realizado hoje, dia 26, no Digital Money Meeting, mediada por Silvia Scosato, presidente da ABBC, associação dos bancos.

Para o presidente da ANBC, o Brasil ainda está patinando com relação ao uso das práticas ESG na concessão de crédito às empresas. Porém, o modelo vem evoluindo ao longo do tempo com a criação do Bureau Verde, pelo Banco Central, que dissemina a cultura de avaliar alguns riscos; e o programa do BNDEs, que fomenta investimentos vinculados a setores como reflorestamento, fontes de energia sustentável, mineração e siderurgia.

Na sua opinião, o relato integrado – que obriga as empresas a fazer um reporte da parte financeira, além dos riscos de sua atuação ambiental e social – tem se tornado uma prática hoje. “Trata-se de uma mudança muito grande e é crédito positivo, trazendo uma transparência importante”, diz.

Base de dados

Essas bases de dados tendem a evoluir, segundo, ele,  com a análise de dados via satélite, que já é uma realidade, e a  chegada de novas tecnologias como IoT, que permitirá que sensores sejam espalhados por todos os lugares, e a entrada em operação da 5G, interconectando tudo.

“As modelagens com a inteligência artificial e machine learning vão avançar e o que está sendo feito hoje no mercado de capital vai começar a migrar para o mercado financeiro e para o crédito. Essas análises vão acabar sendo incorporadas ao dia a dia na operação de crédito. É uma questão de tempo”, disse.

Quanto a padronização, vai demorar no curto prazo. A exemplos dos birôs de crédito, as agências de riscos têm modelagens distintas. “Talvez aí esteja a riqueza de visões distintas. Os ratings nem sempre vão bater, mas haverá essa diversidade de rating que é muito saudável, inclusive para usar os ratings em suas modelagens internas”, concluiu.