TCU economiza R$ 70 milhões com Inteligência Artificial

por | 16 jun 2021 | SAS, Tecnologia e Inovação

Sede TCU Brasilia - inteligência artificial | Credito: Flickr

Sede TCU Brasília | Credito: Flickr

Os órgãos de controle estão bem ativos no uso de inteligência artificial para suas atividades de monitoramento e investigação. Desde 2015, a tecnologia tem sido utilizada no Tribunal de Contas da União (TCU) para leitura de contatos publicados no Diário Oficial para identificar possíveis inconsistências. Devido aos resultados, a IA passou a integrar os objetivos estratégicos de tecnologia. Hoje o TCU utiliza um conjunto de aplicações que têm aumentado a produtividade e eficácia das atividades de controle.

“Um dos objetivos do planejamento estratégico do tribunal é intensificar o uso de inteligência artificial como instrumento de suporte de controle externo e funcionamento institucional. No ano passado, coordenei a Estratégia Digital do TCU, em que um dos pilares é o uso de tecnologias disruptivas e emergentes para redesenharmos a forma de se fazer controle de forma contínua e em tempo real a fim de alavancarmos o impacto das ações de controle para a sociedade”, explica Rodrigo César Santos Felisdório, diretor de gestão da estratégia digital para o controle.

Entre as inúmeras aplicações, ele destaca a instrução assistida utilizada nos processos de tomada de contas especial. Trata-se do processo que mais utilizava recursos do tribunal, o equivalente a 60% da força de trabalho e representa 50% dos tipos de processo. Ele ocorre quando há algum débito e dano ao erário e o tribunal busca recuperar,  processar e responsabilizar.

“O custo é alto, o esforço é grande e o retorno é pequeno porque, depois de muito anos de investigação do processo, o montante já se esvaiu e dificilmente conseguimos recuperar”, explica Felisdório.

A solução encontrada foi usar IA para ajudar o auditor a elaborar o processo. O projeto foi implantado em 2017 e o TCU ganhou vários prêmios. A máquina colhe insumos, lê os autos processuais, extrai as principais informações das irregularidades, utiliza a jurisprudência do tribunal como fonte de referência e elabora para o auditor uma instrução de ponta a ponta.

“Neste momento, o auditor faz uma revisão e uma complementação do que for necessário. Com isso, conseguimos aumentar muito a produtividade do auditor e chegarmos muito mais perto do dano e do fato de quando aconteceu, aumentando probabilidade de recuperação do valor desviado”, diz o diretor do TCU.

O objetivo da plataforma é aumentar a efetividade na responsabilização e recuperação dos danos causados à administração pública seja por desvios, fraudes ou corrupção, por meio da elaboração de instruções processuais automatizadas.

Economia

“Tivemos uma economia de R$ 70 milhões em 2019; redução de 45% no tempo das análises processuais, reduzindo de 33.208 dias de trabalho para 18.313 dias. Isso significa reduzir o esforço de 178 para 98 editores; e de 80% do tempo entre a autuação do processo e a conclusão da primeira análise pelo auditor, que levava sete meses, resultado na diminuição de 374 para 74 dias, em média”, enumera Felisdório.

Agora o TCU está ampliando o uso dessa plataforma de instrução assistida para outros tipos de processos de representação e denúncia. A meta é reduzir nos próximos anos consideravelmente o trabalho do auditor na instrução de processos para que o tribunal possa direcionar a força de trabalho para análises mais efetivas de auditoria propriamente dita.

“Temos dois tipos de trabalho no tribunal: instrução e auditoria. Queremos usar a máquina para o trabalho mais processual e burocrático da instrução e redirecionar a força de trabalho para atividades muito mais complexas da auditoria”, diz Pelisdório.

Há mais de 20 anos, o tribunal tem as decisões dos acórdãos tabuladas. Isso garante uma base de aprendizado para treinar os algoritmos e ter  acurácia de 96%.  O diretor destaca ainda que a entrada de informação já é qualificada.

“Criamos um processo de trabalho em que a partir do gestor inicial, passando pelo ministério onde ocorre o dano, a informação já é alimentada e alguns documentos classificados. Isso passa pelo controle interno do Executivo, a Controladoria Geral da União (CGU), que insere mais dados. Quando a informação chega para o TCU já está em um formato de qualidade que os algoritmos conseguem obter um alto grau de acurácia. Além disso, trata-se e uma instrução assistida pelo auditor que revisa e faz os acréscimos necessários”, garante o diretor de tecnologia.

Todos os projetos foram desenvolvidos com algoritmos criados internamente usando APIs públicas de universidades. Os algoritmos são treinados para os parâmetros do TCU.

Análise Cognitiva

Outro projeto é a plataforma de análise cognitiva para o controle,  segunda demanda do TCU além do aumento de produtividade na instrução processual. Por meio de acordos de cooperação com o Ministério Público Federal, o TCU tem um conjunto de documentos da administração pública. Hoje são mais de 168 mil documentos da Operação Lava Jato, por exemplo, e a plataforma procura identificar vínculos entre pessoas físicas e jurídicas.

“Assim conseguimos identificar possíveis operadores, os contratos executados, empresas vinculadas a esses contratos, sociedade entre as empresas, partidos políticos envolvidos. Isso serve para subsidiar a inteligência do controle”, diz Felisdônio.

Apesar das denúncias relativas à forma inadequada como a Operação Lava Jato foi conduzida, ele diz que a experiência foi importante para viabilizar o uso da tecnologia em qualquer outro tipo de documento. A ideia é que a plataforma receba informações de todas as fontes possíveis.

“Hoje o TCU tem mais de 100 bases de dados da administração pública sob sua custódia. Tudo isso será acrescentado na plataforma com algoritmos para identificar alertas e indícios, para o tribunal melhorar sua forma de atuação”, conclui.