Seta branca em fundo roxo aponta para baixo, indicando queda da economia

Crédito: Freepik

Esta sexta-feira, 22, marcou mais um dia atribulado no mercado financeiro. Após a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovar, na noite de ontem, a PEC dos Precatórios, que modificou a metodologia do teto de gastos e abriu possibilidade de mais de R$ 80 bilhões no Orçamento de 2022, e a saída de quatro secretários da Economia, os temores levaram à alta do dólar e queda expressiva na Bolsa na abertura dos negócios.

O Ibovespa chegou a recuar quase 5% e encostar nos 102 mil pontos, enquanto o dólar subiu quase 2%, sendo comercializado a R$ 5,75 no início da tarde.

Após as falas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes e o anúncio do nome de Esteves Colnago para assumir a Secretaria do Tesouro e Orçamento, o Ibovespa voltou a encostar nos 107 mil pontos e o dólar passou a ser negociação abaixo dos R$ 5,70.

O Ibovespa fechou a sessão desta sexta-feira em queda de 1,34%, aos 106.296 pontos. O dólar fechou em queda de 0,60%, cotado a R$ 5,62. O principal índice da bolsa brasileira acumulou perdas de 7,28% nesta semana.

Confiança em Guedes

Durante o pronunciamento, Bolsonaro procurou reparar o mal-estar de agentes econômicos ao afirmar que o governo federal não fará “nenhuma aventura” e não oferecerá riscos à economia do país. “Entendemos que a economia está ajustada, não existe solavanco, não existe nenhum descompromisso da nossa parte. Queremos o bem do Brasil e esse é o nosso objetivo”, disse.

O presidente reafirmou sua confiança em Guedes, que, por sua vez, confirmou Esteves Colnago, atual chefe da Assessoria Especial de Relações Institucionais do Ministério da Economia e ex-ministro do Planejamento do governo Temer, para assumir a Secretaria do Tesouro e Orçamento.

Objetivo não é tirar 10 no fiscal

Paulo Guedes disse que os fundamentos fiscais não foram abalados e continuam sólidos. “Eu digo sempre que qualquer notícia tem sinal, tem informação e tem barulho. Nós tivemos muito barulho.” Segundo o ministro, ocorrerá uma desaceleração do ajuste fiscal, “de um déficit de 1%, 1,5% no ano que vem”. “Essa posição de equilíbrio entre política e equipe econômica é totalmente compreensível”, afirmou.

O ministro ressaltou ainda que prefere tirar uma nota menor no quesito fiscal, com o déficit primário sendo um pouco maior no ano que vem, em troca de atendimento aos mais frágeis, relativizando a mudança na regra do teto e defendendo que não houve mudança nos fundamentos da economia brasileira.

Mesmo tentando defender a manobra no teto de gastos para viabilizar o Auxílio Brasil de R$ 400 em 2022, Guedes enfatizou que a ideia não partiu da equipe econômica, repetindo uma frase sempre repetida pelo seu chefe. “A verdade vos libertará. A ideia de mexer no teto veio de outro lugar. A preferência da economia era manter o teto e pedir uma autorização para gastar um pouco mais, ali ao lado. Mas, tecnicamente, é defensável”, admitiu.