Renato Ciuchini, head de estratégia e transformação da TIM

Na TIM, o modelo de negócios para serviços financeiros é baseado no conceito de Plataforma de clientes As a Service, na definição de Renato Ciuchini, head de estratégia e transformação da TIM. A ideia é evoluir de ativos de comunicação para o modelo de plataforma de clientes e canais de atendimento visando a oferta de serviços por meio de parceiros. O banco digital C6 é apenas o primeiro e serviços financeiros são apenas um dos pilares desta estratégia, que inclui ainda saúde, e educação, segmentos em transformação e que têm proporcionado o surgimento de unicórnios.

“São empresas super ágeis, muito bem financiadas, mas que têm dois grandes desafios: se tornarem conhecidas e crescerem sua base de clientes. São justamente nossos ativos: marca, 50 milhões de clientes e capilaridade comercial com mais de 800 mil pontos de vendas exclusivos e mais de 200 mil não exclusivos”, elenca Ciuchini.

A remuneração da TIM ocorre por meio de uma parte em dinheiro pelas despesas e parte em participação acionária. O contrato com o banco digital C6 completou um ano. A TIM recebeu 1,4% de participação acionária do banco, que, no último aumento de capital, foi avaliado em R$ 11,3 bilhões.

“O valuation da TIM é de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões por 50 milhões de clientes, o que dá R$ 700 a R$ 800 por cliente. Uma startup como a Nubank ou Banco Inter têm uma valorização de R$ 4 mil a R$ 5 mil por cliente. Existe muito valor quando levamos um cliente da TIM para essas empresas. Também realizamos oferta cruzada de bônus com o dobro de internet para abertura de conta no C6. É uma alavanca para levarmos os clientes para lá”, diz Ciuchini.

Para 2021 a meta é o refinamento do modelo, a partir dos aprendizados com o C6, e a oferta de novos serviços como conta digital e seguros. O projeto mais complexo é transformar o pré-pago numa conta de pagamento.

“Estamos trabalhando com algumas empresas a fim de achar um modelo que gere valor para o cliente final e que fique de pé do ponto de vista econômico-financeiro. Poderemos fazer com uma instituição que já tenha a licença do Banco Central. Nosso plano é transformar o pré-pago numa carteira digital. Além disso, queremos oferecer nos próximos meses outros serviços em parceria com o C6.”, resume Ciuchini.