Francisco Pereira, CEO da Trademaster – Credito divulgação

A Trademaster, fintech especializada em soluções financeiras e de crédito B2B, está de olho no potencial do mercado de antecipação de recebíveis. A empresa nasceu em 2014 após um aporte de R$ 12 milhões do Banco Sofisa, e, em fevereiro deste ano, recebeu um aporte de R$ 100 milhões do Banco BV, além de uma linha de crédito de R$ 500 milhões.

“É o suficiente para suportarmos o crescimento no segundo semestre. Hoje temos 600 mil varejistas plugados na plataforma para acesso a 70 indústrias e distribuidores e 12 marketplaces, dos quais sete já implantados. O volume transacionado na plataforma é de R$ 10 bilhões nos últimos 12 meses. Com a nova regulação do Banco Central, lançamos um produto para elevar o limite de crédito dos varejistas usando os recebíveis de cartão de crédito como garantia”, diz Francisco Pereira, CEO da Trademaster.

A expectativa é de resolução em breve dos problemas técnicos que permitirão a democratização do acesso aos recebíveis como garantia para elevar o potencial do crédito. É preciso a implementação técnica e a intercambiabilidade das registradoras que têm de receber as informações dos adquirentes e conversar entre si para que o recebível seja usado como garantia uma única vez.

“Antes o adquirente tinha quase um monopólio, agora o BC liberou para todo o sistema financeiro usar como garantia de acordo com a vontade do varejista. Um varejista que tenha um limite de crédito de R$ 10 mil e R$ 50 mil de recebíveis pode usar para aumentar seu crédito”, esclarece Pereira.

Ele conta que vai auxiliar as grandes indústrias a vender para o pequeno varejo fazendo extensão de prazo. Para isso, criou uma plataforma de meios de pagamentos que se conecta via APIs ao sistema de gestão (ERP) das grandes indústria. A ideia é que o vendedor da empresa, ao atender o pequeno varejo, já tenha o prazo e o limite de crédito.

“É uma operação sem fricção e transparente e o varejista passa a ter melhores prazos e limites. Investimos muito em modelagem e inteligência artificial para dar crédito mais assertivo de acordo com o real potencial de compra do varejista”, explica Pereira.

Ele ressalta que muitas vezes a indústria não consegue colocar o mix correto por causa do limite de crédito e pelo fato de o produto diferenciado ter um giro mais lento. Se a indústria não dá um prazo maior, o varejista não consegue vender por falta de capital de giro.

“Esse pequeno varejo não tem acesso a crédito no Brasil. A Trademaster tem toda a inteligência e o risco de crédito. Na maioria das vezes, substituímos o limite e o prazo que a indústria dá”, diz Pereira.