Crédito: Ciab 2021/Febraban

A próxima aposta para o Pix, além das novas funcionalidades do meio de pagamento instantâneo previstas para entrarem em operação até o fim do ano, é a sua disseminação no varejo. A modalidade do Pix Saque e Pix Troco está prevista para entrar em funcionamento já no próximo mês de agosto, mas o seu uso é ainda restrito nos estabelecimentos comerciais.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, disse em painel deste terceiro dia do Ciab 2021, que a agenda evolutiva do Pix poderá ajudar a aumentar o uso do Pix no varejo, hoje mais utilizado pelas grandes lojas e por autônomos.

Entre as 254,3 milhões de chaves cadastradas no Pix até 31 de maio deste ano, 10,4 milhões são de pessoas jurídicas, mas as transações pelo meio de pagamento instantâneo entre as empresas são apenas 3% do total. Das 613,7 milhões de transações ocorridas só no mês de maio, pouco mais de 13,7 milhões foram B2B.

Esse número tem crescido ao longo dos meses, mas com velocidade menor do que as transações entre pessoas físicas (P2P), que registram 75% do total, com 405,5 milhões em maio, e mesmo aquelas entre pessoas físicas e empresas (P2B), com 12%, e entre empresas e pessoas físicas (B2P), com 11% do total.

“O Pix começou a ser adotado muito rapidamente por autônomos e por grandes players varejistas porque as empresas dependem de adaptações tecnológicas e é natural que esse desenvolvimento seja mais lento nos estabelecimentos de menor porte. A padronização das interfaces e do QR Code no Pix e a construção desse sistema conjunta e constante com o mercado vão ajudar muito o embarque do seu uso no varejo”, afirmou Pinho de Mello.

Avanços no e-commerce

Pesquisa realizada pelo Mercado Livre entre seus clientes, mostra que 55% já utilizam o Pix, conforme demonstrou Elaine Shimoda, head de Inovação em Meios de Pagamento do Mercado Livre e Mercado Pago.

“Desde abril oferecemos o Pix como forma de pagamento, passamos por um ano com grande transformação digital, quando boa parte da população acabou migrando para o e-commerce em função da pandemia, mas utilizando o boleto por não ter inclusão bancária”, contou Shimoda.

O Pix, na opinião dela, tem facilitado as operações, uma vez que a compensação de pagamento nos boletos é mais demorada, o que acaba impactando na logística de entrega dos produtos. “Uma parcela expressiva de novos clientes tem entrado no Mercado Livre já usando o Pix e eles tendem a ser consumidores frequentes utilizando o meio de pagamento”, assinalou Elaine Shimoda.

Segundo Elaine, alguns varejistas digitais têm aproveitado os baixos custos do Pix para oferecer descontos para os clientes e agilidade no processo também atrai novos usuários. “O mercado tem muita criatividade para aprimorar e fazer novos negócios e esse é o nosso foco”, relatou.

Tecnologia do Pix

Para implantar o Pix, o Banco Central escolheu a tecnologia da Red Hat como base de toda a infraestrutura em um ambiente nativo em nuvens. Boris Kuska, diretor dos arquitetos para a solução Red Hat na América Latina, lembrou que utilizar a inovação no meio empresarial e na indústria financeira exige mudanças fundamentais, incluindo a mudança cultural, a forma de pensar.

“O Pix é marco e um bom exemplo de mudança colaborativa, onde não só uma pessoa tem uma ideia e várias executam. Ideias e visões diferentes permitem encontrar novas soluções para as demandas do mercado e, principalmente, para o cliente final. As evoluções não têm hora para acabar”, ressaltou.

Pinho de Mello ressaltou o caráter inclusivo do Pix. “Quando vemos um engraxate ou um vendedor de picolé com um QR Code colado em seu material de trabalho acreditamos que é um motivo de orgulho para toda a sociedade brasileira”, comemorou.