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A Superintendência de Seguros Privados (Susep) deverá abrir em agosto as inscrições do edital para o seu segundo Sandbox Regulatório, projeto de inovação para o setor de seguros do país. A expectativa é publicar a seleção de 15 novas empresas habilitadas, até dezembro. “Esperamos que sejam projetos inovadores, com uso intensivo de tecnologia, operações remotas e rápida aprovação de sinistros”, afirma Solange Paiva Vieira, superintendente da Susep.

Após a admissão, a Susep concederá uma autorização para que essas empresas possam operar no setor de seguros com regras diferenciadas por 36 meses. O foco do Sandbox Regulatório está em produtos massificados de curto prazo. Portanto, serão excluídos do processo os segmentos de previdência, resseguros, grandes riscos e responsabilidade civil.

“As empresas no ambiente Sandbox são feitas para nascerem, crescerem ou morrerem rapidamente. Nossa maior preocupação é que não haja uma descontinuidade do serviço para o consumidor”, observa.

O setor de seguro no país representa hoje 16,2% do PIB brasileiro e deverá crescer 20% em 2021, no ano passado o crescimento chegou a 15%. Trata-se de um mercado com grande potencial . Os volumes de Prêmio/PIB – o fluxo de recursos arrecadados ao longo do ano – é de 4,03% do PIB, no Brasil; 11,15%, nos Estados Unidos; 7,71%, na Europa e 7,23%, no mundo.

Repensando o setor

O Sandbox tem sido um instrumento importante para repensar o setor de seguro no país que, além de conservador por natureza, é altamente regulado, pouco competitivo, com grande barreira de entrada e pouco uso de tecnologia. O objetivo da Susep é trazer para o setor mais conectividade, flexibilidade regulatória, produtos inovadores com o uso intensivo de tecnologia e foco no consumidor.

Segundo Vieira, a experiência com a primeira edição do Sandbox, no ano passado, tem permitido à Susep revisar os processos de autorização de forma a serem mais rápidos e dar mais liberdade às empresas seguradoras de criar seus produtos. “Como a inovação e a tecnologia estão se transformando de maneira veloz, o regulador tem de regular o mínimo possível para não travar o desenvolvimento e a evolução dos produtos com normas”, diz.

A redução do capital mínimo requerido para uma empresa ingressar no Sandbox, antes de R$ 15 milhões, foi uma das grandes mudanças realizadas pela Susep. Atualmente, as empresas são segmentas em quatro níveis – S1, S2, S3 e S4 – que demandam estágios de capital exigido diferenciados e grau de supervisão e exigências de cumprimento de regras distintos.

Resultados do Sandbox

O primeiro Sandbox da Susep terminou, em dezembro de 2020, com 11 projetos aprovados de 14 inscritos, dos quais nove  foram habilitados e três seguradoras digitais já entraram em operação. “Se todos os projetos habilitados se transformarem em empresas do segmento 4, haverá um aumento de 9% do número de seguradoras no país”, diz.

Foram emitidas 39 mil apólices no período. Cerca de 69% dos seguros de automóveis são clientes novos e 90% dos usuários estão contratando apólice de seguro de celular pela primeira vez.

Os principais produtos do Sandbox em operação até agora são voltados para celular/smartphones,  processos de contratação e cancelamento simples, uso de Inteligência Artificial para pagamento de sinistros em 12 segundos, jornadas totalmente digitais, vistoria digital, entre outros. “Trata-se de uma aposta grande da tecnologia facilitando a vida do consumidor, tornando o produto melhor e mais acessível”, afirma.

Plataforma de dados

Além de capital mínimo requerido ajustado e proporcional ao Sandbox regulatório e à temporariedade da autorização, o projeto estabelece ainda outras facilidades, como a atuação em uma nova plataforma de comunicação tecnológica com a Susep e a redução do número de auditorias exigidas e do custo regulatório de forma geral.