Sandro Sinhorigno, diretor de Vivo Money

A Vivo quer ser mais do que uma companhia de serviços tradicionais de telecomunicações e em 2020 lançou o Vivo Money aproveitando os seus ativos. Sandro Sinhorigno, diretor de Vivo Money, cita entre os ativos a força da marca, a capilaridade de canais físicos e digitais e mais de 90 milhões de acessos das redes fixa e móvel, além do billing.

Ele explica que essa base de 90 milhões de clientes dá acesso a um dos maiores lakes de dados da América Latina. As informações sobre os clientes permitem oferecer crédito por meio do Vivo Money, como uma primeira estratégia de serviços financeiros. Esses dados servem para elaborar modelos de avaliação de risco e se combinam com informações de mercado e de birôs de crédito. A solução junta tecnologia, metodologias e uso de inteligência artificial e algoritmos.

O crédito está disponível para a base de clientes de planos pós e controle. Os valores vão de R$ 1 mil a R$ 30 mil para pagamento em seis a 24 meses e taxas a partir de 1,49% ao mês. O Vivo Money foi construído de maneira diferente a de outros players de telecomunicações. A Vivo entendeu que pode ser mais do que um canal de distribuição de produtos financeiros de um determinado banco. Hoje o ecossistema do Vivo Money é 100% controlado pela Vivo.

“Temos alguns parceiros que auxiliam a como construir um motor de crédito, outros que ajudam a fazer a cobrança, o atendimento, a jornada de contratação e ações de marketing. No entanto, foi criada uma diretoria para fazer o controle end to end. Assim toda a operação fica dentro da Vivo, e não apenas um correspondente bancário remunerado por um “fee” de venda. A rentabilidade vem da diferença dos créditos emprestados versus os captados”, distingue Sinhorigno.

A empresa atua com o conceito de mullti-parceiros. O parceiro master é a Capitalis, que viabiliza o crédito no formado de credit as a service. Já QITech atua com a licença de Sociedade de Crédito Direto, permitindo emissão das Cédulas de Crédito Bancário entre o cliente e o Vivo Money. A fintech também faz a operacionalização do recurso que é captado por meio de FDIC, com outro parceiro. A Vivo já havia feito um piloto em agosto de 2019. Com o aprendizado, construiu a plataforma e lançou o serviço em 19 de outubro.

“Em seis meses de contratação, superamos bastante o que havíamos planejado e já estamos operando na casa dos milhões de reais e mais e mil contratos. Em linha com nosso propósito de digitalizar para aproximar e ser reconhecida como uma empresa de serviços digitais, a ideia é ajudar na inclusão financeira de clientes não bancarizados ou mal bancarizados”, sinaliza Sinhorigno.

Agora a operadora quer expandir os serviços ainda entre os clientes dos planos pós e controle para uso do Vivo Money para a compra de smartphones e equipamentos nas suas lojas. Sinhorigno explica que a taxa de inadimplência é baixa mesmo com o encerramento do auxílio emergencial, o que dá mais segurança para ampliar o crédito num momento em que outras instituições estão restringindo. O próximo passo, mais desafiador, é a extensão dos serviços para os clientes de planos pré-pagos.

“Existem alguns desafios porque a jornada é diferente para autenticação desse cliente; questões de segurança e prevenção. Mas está nos nossos planos e em breve vamos disponibilizar o Vivo Money para esses clientes”, diz Sinhorigno.

A empresa também anunciou a ampliação, por mais cinco anos, de sua parceria com a Dotz, plataforma digital que reúne as verticais de fidelidade, marketplace e serviços financeiros. Nesta nova etapa do acordo, a Vivo torna-se parceira-âncora do ecossistema da Dotz e as empresas vão intensificar a realização de ações comerciais que gerem benefícios para seus clientes. Além disso, a Vivo passa a ter a opção de adquirir participação acionária minoritária no negócio da Dotz, a depender do atingimento de metas acordadas.