Tito Gusmão, fundador e CEO da Warren – Crédito: Divulgação

Após três rodadas seguidas de aportes nos últimos três anos, num total de R$ 445 milhões, a Warren prepara-se para ir ao mercado contratar um número expressivo de desenvolvedores e adquirir empresas que deem match com a cultura da companhia, requisito número um no critério de seleção. A Warren tem 450 profissionais, dos quais 25% são sócios. Já no segundo ano de operação, a empresa entrou no radar de grandes fundos de investimentos, com o primeiro aporte Série A em 2019, de R$ 25 milhões, dos fundos Ribbit Capital – maior fundo de fintechs do mundo –, Kaszek e Chromo Inves.

Em 2020, foram R$ 120 milhões, Série B, por meio dos fundos QED – grande fundo de venture capital americano –, Meli Fund e Quartz. O aporte mais recente e robusto, anunciado no final de abril, somou R$ 300 milhões, em rodada Série C liderada pelo fundo soberano de Singapura, o GIC, investidor global de longo prazo de grandes empresas como Nubank, Sankhya Hotmart e VR Benefícios.

“Temos dois objetivos: contratar 200 profissionais e fazer aquisições que acelerem nosso crescimento. Há dois focos de interesse: base de clientes e produtos. Há diversas linhas de produtos que queremos entregar. Podemos fazer internamente ou adquirir. Já estamos avaliando mais de 100 empresas e, se tudo der certo, devemos fazer de duas a três aquisições ainda este ano, nos próximos três meses”, sinaliza Tito Gusmão, fundador e CEO da Warren.

Ele diz que há dois critérios primordiais. O primeiro é fazer sentido para o negócio, o segundo é a cultura do time. Isso porque a empresa tem um modelo único de alinhamento com o cliente na entrega de produtos, e o que permite isso é um time com a cultura muito forte.

Santo forte

“Para trazer outra empresa para dentro da Warren, é fundamental que o time seja alinhado com a nossa cultura. Já descartamos alguns negócios que poderiam ter ajudado nosso crescimento, mas que o santo não bateu. A gente percebeu que não ia agregar e acabaria contaminando nosso ambiente, que é muito bacana”, diz Gusmão.

Ele define a cultura em algumas palavras: ética, coragem (“é melhor pessoas que façam besteira do que as que não fazem nada¨), humildade, o que não combina muito com o mercado financeiro, mas é preciso ter a noção de que não sabe nada e está em constante aprendizado. E destaca que, quando lhe perguntaram quando percebeu que a Warren havia dado certo, refletiu e chegou à conclusão de que talvez nunca terá essa sensação e isso é o que vai manter o time constantemente ligado.

“Esse exercício de humildade constante é fundamental. Outra palavra é atitude: aqui tem uma série de problemas que precisam ser resolvidos. Se a pessoa gosta de resolver problemas, está no lugar certo; mas, se só gosta de cumprir ordens, não vai dar certo, precisa construir os caminhos na Warren”, avisa Gusmão.

Em reação às contratações, metade das 200 vagas abertas é para desenvolvedores. Gusmão cita estudos apontando que, em cinco anos, faltarão 150 mil desenvolvedores no Brasil. Trata-se de um desafio, mas a empresa tem o grande polo em Porto Alegre, cidade com muitas software houses e boas universidades.

“Temos conseguido contratar desenvolvedores, mas está cada vez mais difícil. Em 2022, teremos um projeto para ir às escolas públicas aplicando testes de lógica e quem passar ingressará em nossa escola de formação de desenvolvedores”, anuncia o CEO da Warrren.

Apesar de utilizar algoritmos para a escolha de melhores investimentos, a empresa evita a classificação de “robô advisor” e se define como corretora, gestora e administradora de investimentos. A Warren foi criada em 2017 por Tito Gusmão, André Gusmão, Rodrigo Grundig e Marcelo Maisonnave, todos ex-integrantes da XP Investimentos.

“Passei dez anos na XP, onde minha última fase foi quando fui para Nova York abrir a operação da gestora lá. Em 2013, me deparei com a palavra fintech, empresa que usa tecnologia para resolver problemas financeiros, e nova York era a meca dessas empresas. Eu estava insatisfeito com a XP. Em Nova York, encontrei outros dois sócios para serem fundadores e construímos o primeiro protótipo da Warren nos EUA”, recorda Tito Gusmão, CEO da Warren.

A ideia foi apresentada na maior feira de tecnologia de Nova York, e, entre 500 participantes, a Warren ficou entre as dez melhores. “Isso permitiu validar a ideia e atrair o interesse de Marcelo Maisonnave, que havia sido cofundador da XP. Então decidimos iniciar a operação no Brasil, em vez de nos EUA”, completa Gusmão.

A empresa começou a operar no Brasil em 2017, com o objetivo de ajudar as pessoas a investir. Gusmão diz que, devido à complexidade do mercado financeiro, as pessoas acabam delegando a seleção dos investimentos para seu gerente no banco ou para o profissional da corretora, que têm conflito de interesses porque ganham comissão dos produtos que vendem e tendem a vender o de maior comissão.

“O resultado disso é que tem mais de R$ 1 trilhão na poupança, mais de R$ 1 trilhão em produtos de previdência que não batem o CDI. Para resolver os dois problemas, a jornada na Warren é descomplicada. Em vez de decidir entre diferentes fundos, a pessoa avalia por que quer investir”, diz Gusmão.

Conforme ela define seus objetivos, quem seleciona os investimentos é a plataforma. Hoje a Warren tem dez escritórios no Brasil e pode atender presencialmente, se a pessoa não quiser a jornada totalmente digital.

“Para resolver o conflito de interesses, entregamos o modelo a que os super-ricos têm acesso. Em vez de uma comissão embutida no produto, a Warren recebe um fee para gerir os recursos, e a comissão volta para a carteira do cliente. Assim a pessoa vai receber sempre os melhores produtos”, explica o CEO da Warren.

A fintech oferece todos os produtos do mercado das principais Assets, fundos de renda fixa, fundos imobiliários, ações. Também conta com produtos próprios da gestora, que oferece dez fundos de investimento, desde títulos do tesouro a fundos diferenciados, a exemplo do Warren Green, para investimento em empresas socialmente responsáveis; do Warrren Equal, para investimento em empresas com mulheres em cargos C level; e do Warren Games, para investimento na indústria de games.

A Warren tem R$ 7 bilhões sob gestão, mais de 200 mil clientes com perfil diversificado e investimentos a partir de R$ 100. A empresa também está de olho no mercado de criptos, por meio da plataforma independente Elliot, voltada à compra de criptos ativos. Gusmão diz que este é um mercado que o atrai bastante e pensa em trazer essa operação para dentro da Warren.

Questionado se já se arrependeu de ter deixado a XP, que se tornou a maior plataforma de serviços financeiros do país, ele é taxativo. “De forma alguma. Meu maior momento de felicidade foi ter saído da XP. E hoje sou feliz por estar construindo a Warren, fazendo o certo para o cliente com um time forte”, afirma Gusmão