Leonardo Medeiros, head de open banking da XP. Crédito: Divulgação.

A fase 2 do Open Banking começa nesta quinta-feira, mas para a XP, a nova plataforma financeira não estará plenamente operacional antes de 2022. Pela regulação, a empresa não tem a obrigação de se enquadrar nesta fase – compartilhamento de dados cadastrais e de transações – porque não integra os grupos S1 e S2, que reúnem grandes instituições financeiras. A XP entra apenas a partir da fase 3 – por ser detentora de conta – que envolve compartilhamento de serviços e com a figura do iniciador de transação.

Com isso, a empresa ainda não terá autorização para acessar os dados de clientes em outras instituições financeiras nessa fase. Bruno Guarnieri, CTO e CPO da XP, destaca que mesmo os bancos que entrarão agora  não vão oferecer alguma solução para o cliente imediatamente. Ele explica que embora a S2 não seja obrigatória para a XP, a empresa não encara o open banking como tema regulatório. O foco é como melhorar a vida e a experiência do cliente, provendo soluções que o ecossistema não oferece hoje.

Para Leonardo Medeiros, head de open banking da XP, existe uma incerteza da própria regulação. A agenda inicial que previa uma fase 4 de open finance até o final do ano, já foi faseada; a parte transacional ficou para meados de 2022.

“A agenda inicial era agressiva e nos permitia falar de impacto no curto prazo; com esse novos faseamentos não é possível prever quando estará operando com clareza. Haverá um período de acomodação para testar os processos com volumes reduzidos de clientes”, diz Medeiros. Ele lembra que diferentemente do PIX, que foi desenvolvido pelo Banco Central, o open banking vem sendo discutido e desenvolvido pelo mercado.

“Haverá uma curva de adoção porque o cliente ainda não experimentou. Só que o valor percebido será tão grande, maior que a do PIX, que a escala será imensa porque vai disruptar o mercado como um todo”, completa Guarnieri.

José Berenger, CEO da XP, afirma que daqui dois a cinco anos a XP quer ser a primeira marca que vem a mente das pessoas quando pensam em ferramenta para o dia a dia de suas operações financeiras. O open banking vai permitir a consolidação de todas as informações e ferramentas num único aplicativo.

“Queremos ser a opção número 1 dos clientes. Os participantes têm de ser regulados pelo Banco Central, mas nada impede que um varejista se torne uma instituição iniciadora de pagamentos. As possibilidades são infinitas. Será uma grande revolução e novos produtos vão surgir”, afirmou José Berenger.

Leonardo Medeiros, head de open banking da empresa, informa  já vem se reunindo com o que chama de parceiros estratégicos que ajudarão a companhia a acelerar a criação de novos modelos de negócio. E também consultado soluções globais que poderão complementar a oferta da XP em áreas como inteligência artificial.

“Do ponto de vista de negócios já conversamos com consultorias para nos ajudarem a entender quem são os ganhadores em outros mercados. Outro tipo de parceiro estratégico são players com tecnologia mais avançada em quesitos do open banking. E com o ecossistema mais aberto, a ideia é nos conectarmos a ele e prover novas linhas de produtos num ecossistema que se expande”, define Medeiros.

Para Medeiros, o open banking visa a reestabelecer o controle dos dados pelo cliente, promover uma troca de informações entre as instituições financeiras de forma mais fluida e viabilizar a troca de dados de forma gratuita.

“O Objetivo é instituir a competição no mercado, estimular inovações e reduzir assimetria de dados. Será uma grande revolução e o impacto será transformador. Open banking  tem tudo a ver com o XP porque visa  modernizar e democratizar o mercado financeiro e melhorar a experiência do cliente, tudo por meio da tecnologia e de forma segura, as mesmas aspirações da XP”, resume Medeiros.